14:43

Salve Cartola

Postado por Bethânia Bressanim |

Me perguntaram o que é felicidade, como é representada em minha vida e afins, fiquei pensando a respeito, não notei, mas creio que deixei passar um bom tempo, pois me interromperam dizendo: "Será tão difícil assim? Egoísta. Não vês que a felicidade está nas pequenas coisas? Naquilo que podemos contemplar a todo o momento, como borboletas voando aos pares, um casal de velhinhos caminhando na feira, pais levando seus filhos pra brincar na praça, o céu azul pincelado com pomposas nuvens brancas, ou a lua clareando a noite escura...quando alguém fica satisfeito com algo, ou seu amigo passando no vestibular, tirando boas notas, conseguindo um emprego..." blá blá blá...
Paralisada, ouvi parte daquele discurso moralista, naturalista e todos os "istas" os quais pude pensar, era redundante e autruista demais. Em 10 segundos todos estavam debatendo e apoiando a visão Madre Teresa de Calcutá à frente, me poupei de ouvir. Cartola veio à mente: "Esquece nosso amor, vê se esquece. Porque tudo no mundo acontece. E acontece que já não sei mais amar. Vai chorar, vai sofrer. E você não merece. Mas isso acontece. Acontece que meu coração ficou frio. E o nosso ninho de amor está vazio. Se eu ainda pudesse fingir que te amo. Ah! Se eu pudesse. Mas não posso, não devo fazer, isso não acontece."
Salve Cartola, mestre bamba como poucos já vistos... Mas voltando ao debate, me posicionei depois de ser questionada novamente. Adianto não ter sido bem assistida, mas importa?
Por que devo ficar feliz com pouco? Por que me contentar com a aparente felicidade das miudezas naturais que supostamente foram feitas pra funcionar equivalentemente, quando a minha realidade não reflete o perfeito quadro?
Egoísta? Muito provavelmente foi minha denominação... Respondi me sentir feliz quando estou entre bons amigos fazendo qualquer coisa que nos traga gargalhadas, quando amo e tenho a certeza de ser retribuída, quando passo momentos tranquilos ao lado das pessoas amadas. Sim, minha felicidade não é tão egoísta, gosto de dividir com os que me cercam positivamente. Mas também fico muito feliz quando dou a volta por cima depois de uma grande queda, quando consigo passar daquela fase difícil do video game, quando compro aquele sapato que tanto queria, quando conquisto aquela pessoa que me interessou por tanto tempo... enfim, fico feliz quando realizo feitos que me satisfazem. Não sou completamente alheia a felicidade dos outros, mas, se um amigo ganha na loteria, o que isso me diz respeito??? Façam o favor de serem menos hipócritas, "o mundo é dos espertos", já dizia o velho cliché.
Não é preciso ser cruel ou desonesto pra isso, é claro, mas não da pra ser otário, esperar que tudo venha as mãos e se sentir completamente feliz ao se foder, certo? Se não quer mais, por que continuar? Pelo outro? Não há razão pra isso, desde que se tenha sido sincero, é cada um com seu cada qual.
Cartola é que estava certo...

0 comentários:

Postar um comentário

Subscribe