Há tempos fotos os espelhos foram cobertos, cobertores, toalhas e trapos velhos foram arrebanhados e despojados sobre os espelhos. Agora que todos os cobertores foram retirados, o reflexo a diante é quase reconhecível. Um quase ainda um tanto distante, mas não como antes. Havia um alguém estranho, totalmente coberto por capas, sem formas e brilho, alguém com um pouco de malícia, um tanto de dor, alguma coisa de amor e uma beleza esquecida, apenas um reflexo obscuro e sombrio. Agora, quase reconheço as formas à frente, os olhos já não mais obscuros, já não tem mais o contorno vermelho antigo. Agora, não há mais moletons ou cobertores, nada mais aquece esse corpo. Já despido, o corpo me é quase familiar. Sente frio, mas quase gosta disso, afinal, o que o mantinha aquecido era aquela capa toda. Mas não existe saudade, como poderia existir saudade de algo que na verdade nunca se teve? O que o reflexo à diante mais queria era que alguém a aquecesse, mas esse alguém não pode fazer isso e lhe mandou cobertores, milhões deles... Vai fazer mais frio agora, não posso contestar o fato.
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